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CORDEL DO FOGO ENCANTADO

Montagem Fernando Paulino
Enquanto isso, no Brasil, o maior ladrão da história continua solto e até crescendo nas pesquisas. A fome e o desemprego aumentam e a nossa juventude balança a bundinha ao som de “piririm, piririm, piririm, alguém ligou pra mim”.
Poucos percebem que algo novo, revolucionário e diferente percorre o país. A poesia toma o lugar principal e a música, com base na percussão, fica em segundo plano. Não é um show, é um espetáculo. Não é uma banda, é um grupo de poesias. Não é do Rio nem de São Paulo, é do sertão pernambucano, cidade de Arcoverde.
Seu nome: Cordel do Fogo Encantado. Cinco artistas no palco e uma multidão de fãs com uma característica: bom gosto, sensibilidade e inteligência.
Num país em que a população e a juventude estão cada vez mais “ficando atoladinha”, é preciso alardear a boa nova. Cordel do Fogo Encantado é a melhor coisa que surgiu no Brasil depois da Semana de 22 e da Tropicália.
Mas, o Ministério da Saúde Adverte: o Cordel do Fogo Encantado contamina a alma dos que sabem drummondear.
Fernando Farias.
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Passolini

Mas eu me pergunto.
Por que criar uma obra de arte se sonhar com ela é muito mais doce?
Frase citada no final no Filme Decameron, pelo próprio diretor Pier Paolo Passolini, interpretando o Pintor Lorenzo Gioto. Uma maravilha.
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Ghiaroni
Descubro, buscando sites de poesias, o nome de Giuseppe Chiaroni. Poeta e jornalista, natural de Paraíba do Sul, MG. Um dos poemas me chamou a atenção: Pontos de Vista. Além de maravilhoso, achei que já o conhecia. Novas buscas e descubro em muitos sites que é uma canção erradamente atribuida a dupla “Roberto e Erasmo Carlos”, com o título de “sou uma criança não entendo nada”.
Mais uma vez me deparo com, além da minha ignorância, um belo poema ofuscado pela música e pela mídia. E o poeta sempre esquecido.
Sugiro que você faça uma busca no nome de Giuseppe Ghiaroni na internet. O cara é muito bom. A seguir o poema Pontos de Vista. Parece que foi feito para mim.
Na minha infância, quando eu me excedia, quando eu fazia alguma coisa errada, se alguém ralhava, minha mãe dizia: -Ele é criança, não entende nada!
Por dentro, eu ria satisfeito e mudo. Eu era um homem, entendia tudo.
Hoje que escrevo histórias e poemas e pareço ter tido algum estudo, dizem quando me vêem com meus problemas: -Ele é um homem, ele entende tudo!
Por dentro, alma confusa e atarantada, eu sou uma criança, não entendo nada!
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MEDITEMOS
Quando deus nos dá o dom, também nos dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação.
Truman Capote. Em Música para Camaleões, 1981.
Sejamos realistas, peçamos o impossível.
Pichação em um muro em paris, maio de 68.
Tudo é relativo. O tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.
Barão de Itararé.
Porque sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho de minha altura.
Fernando Pessoa
O passado é uma roupa que não nos serve mais.
Belchior
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Não desejarás!
Sérgio Kohan
Não desejarás a mulher do próximo!... ... e a mulher do próximo, pode me desejar? E se desejo o próximo ou ele me deseja? E se o próximo não deseja a mulher dele? E se a mulher do próximo não deseja ele? E se os três nos desejamos? E se ninguém deseja ninguém? E se minha mulher deseja a mulher do próximo? E, por que não... o próximo? E se o próximo deseja minha mulher? E se eu desejo a minha mulher e a do próximo? E se ambas me desejam? E se... todos nos desejamos?... Sempre aparecerá alguém para dizer: "vamos parar por aí!... não desejarás!... e ponto final!"
Sérgio Kohan é Argentino, nascido em Buenos Aires. Bioquímico por formação, ele é autor, ator e diretor
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